Monthly Archives: Dezembro 2006

Fim de Ano. Momento de dizer Adeus ao passado.

(A foto é dela)
Espero por Ti, 2007

Adeus. Um dia voltarei a ser feliz.

Percebo que não sei o suficiente da vida para me sentir em baixo, desanimado. Mas não é esse facto que me impede de não o sentir. Quanto mais tento não pensar, mais penso. Acabei de escrever num post-it: “Não Pensar em Ti” e o simples facto de escrever Ti, fez-me lembrar a tua pessoa. Sou patético, eu sei. Estou a rir de mim próprio. Um riso seco. Um riso de escárnio. Era inevitável.

Agora só quero agarrar na minha nuvem e adormecer. Dormir e acordar o ano que vem. Não falta muito, mas era o suficiente para voltar a sentir alegria de viver (Já a tinha perdido? Muito me contas…). Abrir os olhos e, com um sorriso nos lábios, perceber que tudo não passou de um sonho mau. Era o necessário para me recompor, arrumar as recordações num quarto escuro e fechá-las. Tenho que encerrar este capítulo da minha vida. Tanto escreveram nele, que as páginas desbotaram. Tanto escrevi, que os dedos gastaram-se, consumiram-se num ápice. Vou fechá-lo, trancá-lo. E num gesto de pura ânsia, engolir a chave.
Vou voltar ao passado só mais uma vez e engolir tudo o que disse, engolir as pessoas, engolir os sons, os sabores, as cores… Se agora olhasses para mim, vias um turbilhão de cores nas minhas mãos.

Prestes a adormecer, a consciência evoca Letras e canta-me: “Não voltes a deixar que a Felicidade te escape entre os Dedos…
Olho para eles e canto-lhes. Baixinho: “Adeus. Um dia voltarei a ser feliz.

I’m Listening To://Fácil de Entender. The Gift.

(A foto é dela. Os dedos, os lápis e o desenho são dela.)

Aqui estou eu

És aquela em quem eu pus a minha confiança nas tuas mãos. Olha agora para mim. Aqui estou eu! Tu não me entendes, meu amor. Pareces não saber que eu preciso tanto de ti. Pareces não perceber a razão pela qual eu respiro.

Quem me dera.

A meio da noite, acordei de um sonho. Ecos na minha cabeça. Um suspiro torna-se num grito. Imaginei que podia voar pelo Azul, por cima desta cidade, seguindo-te.
Quem me dera poder voar agora. Quem me dera.

“Não te massacres a pensar nisso. Agora (talvez) já não valha a pena.”


E não vale. Tens razão. Mas custa. Saudades, muitas.
Obrigada.

Às vezes preciso de agarrar num balão e partir à procura do Mundo. Perguntas se tenho medo. Não. Sinto-me livre. Sinto-me leve. Faz-me bem.

Desculpem. Estou de partida. Prestes a alcançar o Céu.

Agora estou só. É melhor. Fico bem assim. Eu sei que sim.


A Tua Presença

Hoje preciso de ti. Apenas mais uma vez. Esta noite quero-te do meu lado. Preciso da tua presença junto a mim. Hoje quero-te sentada apenas aqui. Não precisas de falar. Não precisas de me tocar. Espero somente que me deixes admirar-te. Podes não estar de bom humor, podes não me mostrar um sorriso, mas não me importo. Simplesmente, a tua presença vai me deixar feliz. Peço-te que me dês esse prazer. Gosto de sentir a tua presença.

Nevão D’Ouro

Acredita em mim: começou a nevar. Estou com o nariz colado à janela e vejo farrapos brancos a cair.
Oh… mas agora estão a ficar dourados. Parecem bolas de ouro que rolam montanha abaixo. Vou a correr descalço, no chão gelado, rua afora. Estou a ver um vulto em tons de prata!
És tu? Sempre soube que eras um anjo. Por que estás a colorir tudo em tons d’ouro? Lanças brilhantes em direcção à Lua e atinge-la no centro da luz; começa então, a pingar ouro sobre o branco da neve.
Por quê? És um anjo caído!

Por quê?

Por quê? Não consigo responder a isso. A sério, não insistas! Nem eu sei a resposta. Não percebo porque sou assim e porque tudo isto sucedeu. Não entendo a nossa maneira de ser ou forma de ver o mundo. Não compreendo porque a tua imagem insiste em pairar no meu pensamento e porque continuas a fazê-lo.
Por quê? Não sei.
E agora pergunto eu: “Por que não?”

Anjo Caído

Fico sentado, no sofá, junto a ti. Admiro-te de perto. Os teus traços destacam-se de todos os objectos que te rodeiam. Os teus olhos cintilantes iluminam a noite. Encantas-me. Não me canso de te observar e quando o faço parece que o tempo pára.
Apetece-me tocar essas formas bem definidas e acariciar os teus lábios húmidos.
Ao fim da noite, quase que juro ver duas asas brancas ascenderem das tuas costas. Serás um anjo caído?

Tsunami – The Aftermath

Ontem vi o primeiro episódio de uma comovente mini-série na SIC, intitulada “Tsunami – The Aftermath” (Tsunami – O Dia Seguinte), inspirada em factos verídicos e que relata uma história de perda, sobrevivência e de esperança. É um balanço da ruptura pessoal e cultural causada pelo Tsunami de 2004.
É uma história humana, porque vemos o desespero, aflição, coragem, determinação e esperança das pessoas, por detrás dos números estatísticos.

2 anos depois…

Foi o ano…

2006 está prestes a terminar.

Camões dizia “Do mal ficam as mágoas na lembrança e do bem, se algum houve, as saudades”.
2006 foi o ano da recuperação do Verão de 2005, momento a partir do qual, a minha vida mudou radicalmente. Este ano enfrentei o passado, pudores e tabus. Admiti que o “ontem” já lá vai e que tenho de seguir em frente. Encarei medos, dúvidas e pessoas.

Foi o ano de novos desafios e de mudanças. Muito estudo, muito esforço, muito suor, mas também muito “deixa andar”. Foi o ano das famosas tardes de quinta-feira, de muito riso (e pouco juízo), de algum choro e momentos de fraqueza, de algumas saídas marcantes, de novas experiências (esta é para ti, J.), de muitas asneiras… Foi aquele ano em que tudo era feito com euforia e coragem.

Foi o ano dos choques e revelações, o ano dos desabafos e das confissões. Foi um ano de afirmação de amizades e (des)aparecimento de outras: amizades antigas tornaram-se imensamente fortes, pessoas impressionaram pelo seu companheirismo e outras revelaram o seu mau-carácter.
Foi o ano das leituras e do enriquecimento cultural. Foi o ano em que li tecnologia, ciência, viagens, actualidades… Foi o ano da boa música, do crescimento exponencial da playlist e dos festivais de Verão. Foi o ano da telev
isão e das séries de culto.
Foi aquele ano dos planos furados e da concretização inesperada de outros.
Foi o ano do potencial oculto, das declarações, da auto-confiança e do desejo.
Foi o ano do telemóvel, das mensagens e dos telefonemas. O ano da afirmação enquanto blogger e pseudo-escritor. Foi aquele ano dos elogios e dos sorrisos rasgados.
2006 foi o ano daquelas coisas que não me lembro, mas que devem ter sido igualmente marcantes.

Ah! 2006 foi também o ano da “despromoção” de Plutão, da presidência de Cavaco Silva, do governo de Sócrates, do processo de Bolonha, do desemprego, do fim da Festa da Música, do Rivoli e das capitais nacionais da cultura, dos novos programas educacionais, da polémica dos exames nacionais do secundário, das aulas de substituição, do fim do semanário Independente, do aumento da idade da reforma, do encerramento de maternidades, da TLEBS, da seca, das cheias… (Pausa para respirar. Uffa!). 2006 foi o ano de blá blá blá blá…

E 2007? Oooh… ainda vai “rolar” muita tinta!

Procurei em vão. Levaste contigo tudo o que te dei. Não ousei pedir o que roubaste , com medo que a chama se apagasse. Sustive o fôlego por tempo indeterminado, apenas para aguentar aquilo que, afinal, já não existia. Acabei por sufocar. Agora peço que me devolvas a dedicação que te dei.

(Todos temos um) momento de fraqueza

Todos nós temos momentos de fraqueza. Esta noite é um deles. Sinto-me em baixo. Eu sei que tinha prometido que ia superar o passado, mas hoje sinto-me fraco, muito fraco. A fraqueza baralha-me o pensamento, confunde-me os sentimentos e distorce-me a visão. Infelizmente. Enviei-te uma mensagem há dois dias atrás. Quando a enviei, nunca pensei que me respondesses e a verdade é que não o fizeste. Custa-me. Muito.
Ainda me recordo das palavras que dizias; todas indicavam que fazias planos para o futuro… ao meu lado.
Ainda sinto a tua voz, quase como um murmúrio longínquo, mas ao mesmo tempo tão perto, que dizia: “Quero-te”. É verdade. Mas era mais forte que nós. A canção diz: “Não se ama alguém que não ouve a mesma canção”. Concordo. Éramos diferentes.
Há locais daquela casa que me recordam de ti: o quarto do primeiro beijo e o vão de escada do último. Outros locais nunca serão apagados da memória.
Sinto falta de ti.
Por quê? Apenas porque estou em baixo esta noite. Preciso de falar. Preciso de escrever. Preciso de ti… (Pschhiu! Esquece o que disse). Ainda bem que não respondeste. É melhor. Facilita-me as coisas. Ouvi dizer que estás feliz. E eu compreendo. Todos os momentos têm a sua metade. Eu já fui a tua…

Tive um momento de fraqueza. Todos temos um.

[23H27m]


A minha mão continua à espera que a tua a agarre…

Apenas um corpo que mata

Dizem que o teu corpo mata. Eu digo que ele é feito de pedaços de momentos que importam. Momentos simples e concisos. Situações. Apenas isso. Tal como apenas um café na mesa. Apenas um cigarro aceso. Apenas uma luz a piscar. Apenas um leito seco de um rio. Apenas um menino a brincar. Apenas um carro que passa. Apenas uma estrada vazia. Apenas um chapéu abandonado. Apenas uma alga no mar. Apenas uma folha caída. Apenas um som que não se sente. Apenas uma voz surda. Apenas uma noite estrelada. Apenas uma nuvem passageira. Apenas uma música sentida. Apenas um corpo…
Um corpo de fragmentos. Fragmentos de um corpo. É esta a matéria do corpo: sonhos e memórias. Sonhos que acordam e memórias que doem… É por isso que dizem que o teu corpo mata. Apenas por isso.


Já agora…

Não sou contra a oferta de presentes, mas porque não usar os 500€ que vão gastar este ano em quinquilharia, chocolates, brinquedos… para ajudar alguém?
Este ano ofereçam vales aos vossos amigos e familiares. Com o dinheiro que gastariam num presente invistam em solidariedade e depois ofereçam ao amigo ou outro, um postal a dizer: “Parabéns, este ano ajudaste a vacinar uma aldeia inteira de crianças no Sudão!” ou “Parabéns, ajudaste as crianças no Burundi a ter livros escolares!”.
Invistam em solidariedade!
Já agora… Vale a pena pensar nisto.