[Continuação da manhã no Convento e das conversas acerca da “psicologia do nosso eu”]

O Desconhecido


Agora, quando peguei na caneta, ganhei a noção que é mais fácil escrever sobre mim, que falar.

Não consigo descrever-me só com algumas palavras. Palavras simples e concisas? Isso em mim não existe! Sou complicado como todo o humano e tenho dificuldades de síntese. Como tal, são muitas as palavras que argumentam as limitações e potencialidades do meu ser.
Sou alguém introspectivo, que gostaria de se conhecer melhor e que, por vezes, não o consegue. Provavelmente porque, como dizes, ninguém se conhece perfeitamente e por vezes não queremos reconhecer certas fraquezas, embora saibamos que elas existem.
Considero-me solitário. Solitário por opção e sem uma conotação depreciativa; gosto de estar sozinho no silêncio e convivo bem comigo mesmo. Não sinto necessidade de muitas pessoas: tenho um grupo restrito que assume importância na minha vida. Não sempre. Confesso que uma parte será importante apenas em determinados momentos, enquanto outros são tão essenciais, como o ar que respiro.
Fraqueza. Penso que essa, curiosamente, é a minha maior fraqueza. Sinto que, às vezes, falta força para enfrentar os problemas (maioritariamente criados por mim) e os “fantasmas” do passado. Falta de motivação interna. Falta de capacidade para tomar decisões. É por isso que prefiro que me confidenciem os seus problemas. Faz-me sentir útil. Faz-me não pensar só em mim. Faz-me pôr em acção aquilo que eu chamo “a veia de Madre Teresa”: a necessidade impulsiva de ajudar todos os que me rodeiam, como se fosse uma obrigação minha. Sei que sou prejudicado por isso…
Tanta coisa que eu poderia dizer, mas ainda não desenvolvi a competência para conseguir exprimir o que realmente sinto, sem ser em “estilo poético” ou utilizando metáforas.
Sei que achas que este é um exercício que deveríamos fazer frequentemente. Concordo. Mas podias agora, reconhecer as tuas limitações e compreender que o mais importante é viveres harmoniosamente contigo própria, mesmo que para isso tenhas de procurar ajuda. Eu sei! Sei o que vais dizer… Mas pensa nisso.
Talvez agora deixes de dizer, passados tantos anos, que sou um desconhecido…

8 de Dezembro de 2006
Tiago Ramos
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