Inércia – 4

Com o balanço da despenalização do aborto, aceitámos a desresponsabilização do homem que, tanto como a mulher, contribuiu para a gravidez. Aceitámos a despenalização até às 10 semanas sem perceber muito bem por que não há-de ser até às 9. Ou até às 11. A menos que digam que a escolha do número redondo ficou a dever-se ao facto de, até às 10 semanas, o aborto poder ser químico e não cirúrgico – logo mais fácil, mais rápido e, sobretudo muito mais barato. Será possível que uma questão eminentemente moral se tenha decidido por razões friamente economicistas? Aceitámos a intervenção em estabelecimentos autorizados sem sabermos que estabelecimentos serão – autorizar-se-ão os locais até aqui ocultos na clandestinidade que toda a gente conhecia ou, caso não sejam reconhecidos, irá o aborto transformar-se num chorudo negócio para investidores portugueses e estrangeiros? As mulheres que pretendam abortar nos hospitais públicos serão forçados ao pagamento de uma taxa moderadora especial, ao nível do que custava um aborto clandestino? Se assim for, o Estado encontrará aqui uma agradável fonte de rendimento. Pelo contrário, se o “aborto público” for barato, quem pagará os seus custos adicionais? Afinal, não há dinheiro para abonos de família decentes nem subsídios de maternidade capazes de aliciar os portugueses a terem mais filhos e vamos pagar abortos? Os médicos do Serviço Nacional de Saúde que, para não fazerem abortos, vão poder, ao que parece, recorrer à “objecção de consciência”. Se os portugueses votaram a favor da despenalização, o aborto passa a ser legal – e passa a ser um acto clínico. Pode, agora, um médico a quem os contribuintes pagam o salário recusar-se a fazê-lo?
Ricardo Araújo Pereira anda com problemas em lidar com a fama. A empresa Produções Fictícias enviou um comunicado para as redacções dando conta da “presença constante de presumíveis fotógrafos e jornalistas não identificados” junto à residência do humorista dos Gato Fedorento e apelando à não publicação de trabalhos sobre a sua vida privada. Ora, há umas semanas Ricardo Araújo Pereira foi capa da revista Sábado com uma fotografia feita em sua casa, e quer fechar agora a porta a olhares indiscretos? Também, o humorista envolveu-se na semana passada numa acesa polémica na blogosfera com os escribas do blog 31 da Armada e disse que a sua família foi alvo de ameaças por causa da rábula sobre Marcelo Rebelo de Sousa.
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Comentários

  • solitarioh2005  On Fevereiro 15, 2007 at 20:56

    muitas questões , de facto.
    Eu sou completamente contra a liberalização e promoção do aborto .

    O estado liberalizou e provavelmente vai promover.

    Explico.
    O estado liberalizou as telecomunicações moveis, isto é, varias empresas puderam oferecer serviços.

    Isto vai acontecer em portugal.
    Empresas de abortos vão poder oferecer os seus serviços.

    Mas repara : O estado não se vai limitar a deixar as empresas de abortos trabalhar.

    O estado vai pagar abortos.

    Isto já não é simplesmente liberalizar.
    As telecomunicações estão liberalizadas mas o estado NÃO te paga as chamadas que fazes.

    No caso do aborto o estado não se limita a liberalizar.

    O estado apoia quem aborta pagando-lhe parte ou totalidade do aborto.

    Outra coisa: O Estado não paga uma consulta no dentista a um cidadão.

    Mas um aborto subsidia.
    Porquê?

    Podes ver aqui um forum sobre aborto

    Clique aqui para ver o blog

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