Daily Archives: Abril 16, 2007

Confissões – II

Confesso que me surpreendeste, não pelo que fizeste, mas simplesmente por o teres feito. Não me preocupei com o que pudesse ter acontecido, pois, na mais pura da inocência (a típica), isso não me passaria pela cabeça. Afinal estás mudada: mais estável e madura; e acredita que a opinião não mudou.

Naquela torre da muralha – em que nos refugiámos para passar a tarde – os teus olhos indicaram-me que havia algo que tentavas esconder (ou até esquecer), mas que o coração insistia em cuspir, como se de fogo se tratasse. Ouvi tudo até o fim. A tua cabeça enterrava-se no colo e as mãos transpiravam verdades incómodas, mas mesmo assim (tendo em conta o meu papel comum de cúmplice, ouvinte e conselheiro) revelaste. Tudo foi dito, pontuado com desculpas do teu estado e outras (aliás, muito plausíveis) e com momentos caricatos, os quais a situação não dispensou. O meu ar calmo e o silêncio desconcertante foram incomodativos, eu sei. Mas esse sentido de vazio que demonstrei, era apenas sinónimo de reflexão e compreensão. Não penses que alguma vez te julguei ou condenei. Compreendi todas as motivações e situações que levaram àquele momento.
Contudo, foste corajosa e mantiveste-te íntegra até perto do fim. mas o ser humano é complicado: vive de momentos, de desejos,de necessidades, de vícios.
Percebo-te. Já vivi isso. Momentos carregados de ambiente físico, ocasiões em que tentamos racionalizar e a mente funciona, mas o corpo não corresponde. Resistir é árduo e por vezes impossível. Todos nós temos um momento de fraqueza… e tu não és diferente de ninguém.
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Biblioteca de Links – Cultura


http://bacalhoeiro.blogspot.com/ – O Bacalhoeiro. O nome identifica a associação com o espaço que ocupa na Baixa lisboeta, um duplex em que já esteve instalado um despachante oficial, e que acolhe exposições, teatro, ateliers de aprendizagem, ciclos de vídeo e espectáculos musicais. Estará aberto a qualquer iniciativa cultural, uma vez que não dispõe de produção própria.

http://velha-a-branca.net/ – Velha-A-Branca. A Velha-a-Branca é uma cooperativa sem fins lucrativos situada no centro histórico de Braga. Abriu portas em Outubro de 2004 com o objectivo de promover a criação e a divulgação artística e cultura. Todos os dias é possível assistir às mais variadas actividades (conversas, lançamentos de livros, sessões de poesia, concertos, semanas temáticas, etc), visitar exposições (fotografia, pintura, escultura, etc) e frequentar cursos na área cultural ou do ambiente. A Velha ocupa um edifício do séc. XVIII, dispondo de várias salas e uma cafetaria de apoio. A estreita fachada esconde um extenso e surpreendente jardim em patamares que termina num miradouro com uma interessante vista sobre a cidade.

http://contagiarte.pt/ – Contagiarte. Espaço de sensibilização, formação e dinâmicas culturais.

http://crewhassan.org/ – Cooperativa Cultural, CRL.

http://cefalopode.com/ – Este mesmo sítio pertenceu em tempos a José Carlos Ary dos Santos (que morava bem perto, na Rua da Saudade), em camaradagem com Fernando Tordo. Chamava-se então Cantador-Mor. A poesia e a música ficaram definitivamente entranhadas nas suas paredes. Várias mortes depois, quis a sorte que do mesmo sítio encarnasse um lupanar, e tão soberba desgraça só pode contribuir para a sua mística. Desse obscuro passado, a luxúria ficou, bem presente, entranhada nas suas paredes. A poesia, a música, e a luxúria deste sítio, sente-se, mesmo que não se saiba! Desde o dia 28 de Outubro de 2005 o Cefalópode mora oficialmente no Sítio, e sente-se em casa.

Inércia – 11


A exposição de uma escultura em chocolate de Jesus Cristo, denominada My Sweet Lord, na Lab Gallery, em Nova Iorque, provocou a ira dos católicos, acabando por ser cancelada pelos responsáveis do hotel Roger Smith onde a galeria funciona. O caso levou o director da galeria, Matt Semler, a apresentar a sua demissão afirmando que a escultura do canadiano Cosimo Cavallaro foi atacada por pessoas que nem sequer a viram.

Ao libertar os 15 marinheiros britânicos, o Presidente Ahmadinejad quis mostrar ao mundo que o regime de Teerão também é magnânimo. Mas, na verdade, o que disse foi que o Irão não desiste nem de ser uma potência regional nem de continuar o seu programa nuclear. E que, se lhe derem oportunidade, não hesitará em praticar novos actos semelhantes para atingir aqueles objectivos.

Sala de Espera – 2


A adopção de crianças por casais homossexuais


O preconceito, muitas vezes, surge da ignorância. Mas neste caso, a minha opinião (que alguns apelidarão de preconceito) não é injustificada. A questão aqui não é a do homossexualismo, mas sim a da adopção. Ser homossexual ou não é puramente opcional (e quando me refiro a homossexualidade é à atracção física e/ou amorosa por duas pessoas do mesmo sexo, seja ele masculino ou feminino).
A adopção de crianças que não têm família ou uma família estável é sempre um acto louvável. Mas a adopção de crianças por casais homossexuais é muito complexa. Os apoiantes dirão que esses casais têm o direito a ser reconhecidos como tal, que todas as crianças têm o direito de ter serem amadas e de terem uma família e que, por vezes, os casais heterossexuais não lhes garantem estabilidade e integridade física e/ou emocional às crianças. Eu concordo com todos esses argumentos, mas contraponho outros.
Acima de tudo, dever-se-ia levar em conta a criança e a sua visão do mundo. Recentemente, assistimos ao caso de duas mulheres portugueses que afirmavam querer casar-se e adoptar legalmente uma criança (que tinham já a seu cargo), mas todos concluímos que elas não queriam mais que puro mediatismo. Casos como este, fazem-me rejeitar a ideia de adopção por casais homossexuais. Para tal ocorrer, teria de existir uma total reforma do sistema actual.
Como uma criança encararia a visão de dois pais ou duas mães? Como seria vista pelos colegas na escola? Não seria alvo de discriminação?
Todo o sistema foi desenvolvido apoiado na ideia de um casal heterossexual. O que fariam as crianças quando, na escolha, lhes fosse dado a preencher uma ficha biográfica com o nome do pai e da mãe? Qual dos “pais/mães” assumiria a figura de pai ou de mãe? Não seria isso constrangedor e redutor? Os próprios manuais escolares assentam na concepção de família constituída por um pai (homem) e de uma mãe (mulher). Todo esse género de banalidades teria de ser mudado. O essencial – as mentalidades – teria de ser mudado e isso é difícil. Seriam necessárias centenas de anos para isso acontecer.
Uma criança adoptada por homossexuais seria actualmente vítima do preconceito, dos estereótipos e seria profundamente marginalizada. Isto provocaria graves problemas a nível da personalidade. Acabaríamos assim a desenvolver adultos com problemas numa sociedade fragmentada.
Adopção de crianças por casais homossexuais? Absolutamente não! A não ser que o mundo acabe amanhã e comece tudo de novo…

Lê a opinião da Patrícia em O Sorriso das Estrelas.