Sala de Espera – 2


A adopção de crianças por casais homossexuais


O preconceito, muitas vezes, surge da ignorância. Mas neste caso, a minha opinião (que alguns apelidarão de preconceito) não é injustificada. A questão aqui não é a do homossexualismo, mas sim a da adopção. Ser homossexual ou não é puramente opcional (e quando me refiro a homossexualidade é à atracção física e/ou amorosa por duas pessoas do mesmo sexo, seja ele masculino ou feminino).
A adopção de crianças que não têm família ou uma família estável é sempre um acto louvável. Mas a adopção de crianças por casais homossexuais é muito complexa. Os apoiantes dirão que esses casais têm o direito a ser reconhecidos como tal, que todas as crianças têm o direito de ter serem amadas e de terem uma família e que, por vezes, os casais heterossexuais não lhes garantem estabilidade e integridade física e/ou emocional às crianças. Eu concordo com todos esses argumentos, mas contraponho outros.
Acima de tudo, dever-se-ia levar em conta a criança e a sua visão do mundo. Recentemente, assistimos ao caso de duas mulheres portugueses que afirmavam querer casar-se e adoptar legalmente uma criança (que tinham já a seu cargo), mas todos concluímos que elas não queriam mais que puro mediatismo. Casos como este, fazem-me rejeitar a ideia de adopção por casais homossexuais. Para tal ocorrer, teria de existir uma total reforma do sistema actual.
Como uma criança encararia a visão de dois pais ou duas mães? Como seria vista pelos colegas na escola? Não seria alvo de discriminação?
Todo o sistema foi desenvolvido apoiado na ideia de um casal heterossexual. O que fariam as crianças quando, na escolha, lhes fosse dado a preencher uma ficha biográfica com o nome do pai e da mãe? Qual dos “pais/mães” assumiria a figura de pai ou de mãe? Não seria isso constrangedor e redutor? Os próprios manuais escolares assentam na concepção de família constituída por um pai (homem) e de uma mãe (mulher). Todo esse género de banalidades teria de ser mudado. O essencial – as mentalidades – teria de ser mudado e isso é difícil. Seriam necessárias centenas de anos para isso acontecer.
Uma criança adoptada por homossexuais seria actualmente vítima do preconceito, dos estereótipos e seria profundamente marginalizada. Isto provocaria graves problemas a nível da personalidade. Acabaríamos assim a desenvolver adultos com problemas numa sociedade fragmentada.
Adopção de crianças por casais homossexuais? Absolutamente não! A não ser que o mundo acabe amanhã e comece tudo de novo…

Lê a opinião da Patrícia em O Sorriso das Estrelas.

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Comentários

  • Just Be Fair  On Abril 18, 2007 at 14:21

    Muito bem escrito. Parabens.
    Percebo o teu ponto de vista. Não digo que concordo nem que discordo. Digo que compreendo mas que há também outras coisas a considerar, do outro ponto de vista.
    É um tema complexo.
    E sim, algumas coisas teriam de mudar radicalmente, a bem ou a mal.

  • Tigui  On Abril 19, 2007 at 13:54

    Obrigado.
    Pois, é complicado.
    =)

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