‘Both Sides Of The Gun’


Alucinado, percorri o asfalto negro, numa das rectas mais extensas que possas imaginar. Por quê? Pouco me lembro, pouco te sei dizer. Recordo aquela viagem, a tal, a única que partilhámos. Recordo as ruas palmilhadas lentamente; não tínhamos o tempo atrás de nós, para quê nos apressarmos? Para nada, por nada, por motivo algum. Lembro a foto tirada na ponte, captada no momento exacto em que o teu sorriso espontâneo se assemelhava ao de uma criança. E é por estes motivos que te recordo, com a nostalgia de tempos antigos. É escusado falar dos outros momentos vividos a sós, das mãos, dos lábios e dos toques, pois sabes que essa recordação magoa, destrói e consome. Recordo a noite em que, estendidos na areia da praia, contámos as estrelas e eu prometi que iria dar o teu nome, não àquela que fosse mais brilhante, mas aquela que fosse mais vermelha. Com o corpo estendido, demos as mãos e desejámos que tudo parasse ali, na mais profunda solidão que duas almas podem sentir. Ao som de um velho disco de vinil pedimos para morar ali, para suportarmos o peso da vida. E pouco mais me lembro, além do beijo. O último, aquele que foi trazido pelo vento, do fundo das nossas vidas, forças e ‘quereres’.
Agora, acordo e vejo continuidade, não vejo fim, vejo asfalto, não vejo mar, sinto-me, não te sinto, desejo-te, não te tenho.

*photo//:iemai

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