Marta e as Sabrinas Vermelhas – XVI


(…)
Foram passos verdes em vegetação seca, que Marta ouviu. Olhou ao seu redor e apenas os sons naturais do mato e seus habitantes animais se distinguiam. Mais uns passos, crác, crác, passos secos em erva verde e a sua cabeça rodava à procura da origem. Olha para a sua roupa caída nos seixos, repara também em nuns pés, depois numas pernas, num tronco e nuns braços, repara que é um homem, olha nos seus olhos e sorri. Um rapaz, afinal. Bonito, de olhos castanhos, traço forte, barba aparada, bonitos dentes e ela sorria-lhe. Ele corou, «A menina desculpe, não reparei que estava alguém aqui. Costumava vir para este sítio há muitos anos» e escondeu a cara. Marta, divertida, saiu da água totalmente despida e os seus olhos faiscavam, enquanto se dirigia para junto dele. «Mmm, eu vou andando», dizia o rapaz e Marta estendia a mão, apresentando-se «Marta, prazer. Se pudesse sair de cima da minha roupa, eu evitaria um resfriado.». A vergonha não podia ser maior, mas Marta divertia-se e vestia-se naturalmente junto a ele, que por sua vez virava a cara para o lado contrário. «Podes virar-te que eu não mordo» e quando se virou, já ela estava vestida. Sorriram os dois e passaram a tarde à conversa. Ela descobriu que o seu nome era Nicolau e que ainda eram da família, primos em terceiro grau. Há três anos que não ia para aquelas bandas, «para lá do sol posto», como dizia. E Marta maravilhava-se ao ouvir histórias da cidade, cidade de luz, cidade de arte, cidade de pessoas, cidade de bem vestidos. Nicolau divertia-se com a sua cara e com a ingenuidade de menina que ainda possuía e até chegar a noite, nunca as palavras acabaram e menos ainda os sorrisos. Despediram-se com um beijo na face e Marta correu para casa, pois a noite era cerrada. E eis que quando chega perto, avista o vulto da sua mãe no alpendre. Temerosa, avança pé ante pé, até que a fúria da mãe lhe pergunta: «Onde estiveste a tarde toda? Cansei-me de trabalhar e nem apareceste para ajudar. Já te avisei tanta vez, tanta vez. Diz-me onde estiveste!» e o medo respondeu «Estive no ribeiro…», «Sozinha?», «… com o primo Nicolau». A mãe não se lembrava do primo Nicolau e mesmo se lembrasse, de nada serviria a Marta, pois antes de ter tempo de explicar, já havia levado um tabefe que lhe deixou a cara marcada por dois dias. Na profunda resignação, mas também revoltada, segura com firmeza uma cavilha ferrugenta e faz um enorme risco na parede do quarto. Mal sabia Marta que o seu desejo não tardaria a chegar e a mudança se daria finalmente no dia seguinte, com uma ajudinha do primo Nicolau.

(Continua)

*photo://MeninaLua

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Comentários

  • FiNi  On Julho 1, 2007 at 05:01

    Olá meu Anjo!
    espero com impaciencia (nao e la paciencia de lenine eh?) a siguente historia.
    tudo legal meu cara?
    beijinhos de anjo pra você e boas feiras.
    Chuicks!

  • João Cordeiro  On Julho 2, 2007 at 13:59

    Belo texto…. fico ansiosamente à espera da cena dos próximos capítulos ;-))

    Abraço sonhador

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