O Homem que vendia silêncio

Não sou um homem como os outros que conheceste e tu sabe-lo bem. Sou solitário, gosto de o ser. Percebeste que não sou dado a muitos afectos, mas que a privacidade revela-me, desvenda-me o silêncio e leva-me a amar-te como nunca outro o fez. Sei cada local do teu corpo que te provoca arrepios e tu ris, satisfeita por me teres ali, simplesmente junto a ti.

Afago-te os cabelos com a suavidade própria de umas mãos apaixonadas. Os teus cabelos passeiam-me o corpo. Somos um só, construímos juntos o mais digno sentimento de pertença, de um ser uno. Respiramos num só fôlego e vamos absorvendo possessões, sabores e sons. Gosto de te ouvir. Gosto de estar juntinho enquanto dormes, perceber-te as motivações, pressentir a tua pureza.

Toco-te melodias ao piano, de cigarro no canto da boca e coração na ponta dos dedos. Chamas-me “bichinho”. Sussurro-te canções ao ouvido e sorris-me com todo aquele facilitismo natural. Perguntas-me se não o sei fazer por menos, deixo os dedos deslizarem em notas salteadas e entendes que o mundo é o dos tudos e dos muitos. Tudo me gira na ponta das mãos, faço melodias ao olhar-te e enquanto toca, ouço chamares-me “bichinho” no profundo silêncio.

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