Amor – Emoção Cliché

Dizer que te amo seria mais fácil se não caísse em desuso. Nunca fui de modas e tu sabe-lo bem, mas custa-me dizê-lo.

«Amo-te» sabe-me a café da Colômbia, contudo sabe-me a pouco. Não digo que te amo com medo que me olhasses surpreendida. Já não vivemos no mundo do amor, passamos pela era do adoro-te, do gosto-te, do amoro-te. Amor tornou-se cliché. Escreve-se sobre o amor com muito mais frequência, mas confundem-no com paixão.

Oh, saudades dos lenços de namorados, das cartas de amor da época colonial e no entanto tudo se perdeu. Dizer hoje que te amo é invocar uma marca comercial com direitos de autor e o amor tornou-se banal. Dizem que «amo-te» não lhes soa bem, que o português não tem música, que não ressoam sininhos. Proliferam «I love you» e «Je t’aime» sob o mote da caça à musicalidade do amor. E a Língua Portuguesa tem afinal tanto som, tanto paleio, cujo «amo-te» torna-se belamente pronunciado, requerendo movimentos de lábios fortemente entrincheirados e ouve-se então a intensidade do amor, palavra saboreada em português. O amor não precisa que inventem novas palavras, novos pseudónimos, nem que soe a notas musicais. O amor está cansado de ser a emoção cliché. Amar precisa de ser invocado, de ser sentido, de ser entoado com a alma e soar a um «amo-te» tão querido, tão intenso, tão português.

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Comentários

  • Anusca  On Agosto 14, 2007 at 19:41

    Eu sou fashion e recebi este post por SMS quando ele foi escrito =P

    Já te disse que adorei… Para mim, dizer “amo-te”, só mesmo muito raramente, quando é o verdadeiro sentimento… Seja em que língua for, não gosto que caia em desuso… Não gosto que se use sem mais nem menos… Perde significado…

    Mas é verdade, hoje em dia dizer “amo-te” já raramente tem o mesmo significado que tinha… Nesse aspecto, acho que sou conservadora dos bons velhos tempos…

    E também prefiro ouvi-lo em português… Acho que se torna mais fácil dizê-lo noutras línguas porque simplesmente parece não ter aquele peso que o “amo-te” tem…

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