Monthly Archives: Outubro 2007

Filme

Pergunto-me todos os dias como é possível amar tanto e com tanta intensidade alguém. Julgava eu que percebia de sentimentos e afinal era tão desconhecedor e leigo no assunto. Há coisas que só se conhecem quando se sentem e quando se vivem. O Amor é uma delas. O Amor não é Paixão, o Amor não é Desejo, o Amor não é só Carne; o Amor é Alma, o Amor é Sentimento, o Amor é Maduro, o Amor é Completo, o Amor és Tu, o Amor somos Nós.
Nunca ninguém te amou como eu, disso tenho a certeza. Posso dizer que sou o teu Homem em tudo e isso deixa-me feliz, faz-me sentir seguro e convicto, como nunca antes estive. Gosto de ser o teu menino, de ser o (im)perfeito, de ser só teu, de sermos um só. Poucos podem se orgulhar de ter uma relação como a nossa, sem pudores, de mente aberta, madura. Falamos de tudo, porque antes de sermos namorados somos acima de tudo amigos. Os nossos problemas, os nossos segredos, dúvidas e passado não estão escondidos, pelo contrário, são continuamente confessados e admitidos. Não somos perfeitos, é verdade. Mas dentro das nossas (im)perfeições, somos absolutamente ideais um para o outro. Temos sorte, muita sorte. Tudo porque maus caminhos e experiências menos boas conduziram-nos um ao outro na altura certa, no momento ideal, em que temos experiência e madureza suficiente para vivermos e experienciarmos este nosso Amor. Orgulho-me de nós. Apetece-me ser egoísta ao ponto de pensar que mais ninguém viveu aquilo pelo qual nós estamos a passar. Quando alguém nos pergunta que tipo de relação gostávamos de ter, as pessoas comentam que isso só existe nos filmes. A verdade é que vivemos num filme: o nosso filme.
Comovo-me quando penso nisto tudo. Conhecemo-nos da forma mais estranha possível, passámos pela fase da negação, dos telefonemas suspirados, das reacções impossíveis, do cruzar de braços, do choro, da apatia, do desprezo, do desmoronar de relações mais antigas e no fim disto tudo, quando a poeira assentou, olhámos ao redor e estava tudo destruído pelo chão, permanecemos nós, intactos, em lados opostos da estrada. Custou tomar uma decisão e lamento termos sofrido tanto. Existe uma áurea de dor em redor daquilo que foi escrito por nós durante essa fase, transmite agonia e desespero num ponto extremo como nunca antes senti. Arrepio-me quando me recordo, mas gosto de ler, gosto de me lembrar. Quando revejo aquilo por que passámos, ganho cada vez mais certezas de não te querer perder, de nunca mais ter medo de arriscar, de sempre me ir esforçar por lutar pelo mais importante, de nunca desistir.
Tive medo, muito medo. Abdicámos dos nossos ideais e das nossas teorias um pelo outro e isso não foi fácil. Mudámos o mundo um do outro por completa, deitando por terra todas as convicções anteriores. Deleguei todas minhas responsabilidades para outro, mas tu não querias isso. Querias-me a mim, querias a pessoa que te disse que o tinhas e a quem disseste que te tinha, querias aquele que estava disposto a fazer o impensável por ti, querias aquele que te prometeu tudo. E aí eu arrisquei, aí larguei os medos e parti. Parti numa daquelas viagens longas que não são fáceis, daquelas que nos consomem de ansiedade durante duas horas e meia e, no fim, quando finalmente te vi, tive a certeza que eras a mulher que queria para sempre.
A distância é grande, mas diferentemente do que tínhamos julgado, não é assim tão impossível. Custa, sim. Um dia equivale a uma semana e temos dias de desespero, dias em que nos sentimos sôfregos pela voz um do outro. Dias em que somos capazes de desesperar ao telefone, de bater com a cabeça nas paredes, de gritar. Temos outros em que nos limitamos a ouvir o silêncio e a respiração ao telefone. E temos ainda outros em que tentamos ser positivos.
Pensamos muito no Futuro. Talvez demasiado. Mas a verdade é que parece inevitável não amar-te o resto dos meus dias. Nunca julguei em tão pouco tempo, amar tanto assim alguém como tu.
Os nossos amigos ficam fascinados com a nossa relação. Mesmo os mais velhos não conseguem ter tantas certezas, nem nunca se sentem tão seguros como nós. O nosso Amor é diferente, todos o notam. Baseamos todo a nossa relação no Amor, na Confiança, na Compreensão e com isso tudo se consegue, tudo se suporta. Palpito que estejas já a chorar. Até eu estou comovido, meu amor. Comovido por tudo o que este nosso Amor conseguiu fazer, por tudo o que nós passámos.
Que podemos nós chamar a isto? Química? É o mais plausível; no entanto é uma química sem reagentes, sem produtos de reacção, sem equações complicadas: somos simplesmente Eu e Tu. Sempre te disse que não gostava de perfeição e que procurava pequenas imperfeições que dessem personalidade à pessoa e tu tens muito carácter. A partir do momento em que nos apercebemos que a paixão era demasiado grande para se conter começaram as dificuldades, os desafios e convenhamos que não foi fácil. Contudo, julgo que deu chama ao nosso Amor: não esperámos que as coisas nos caíssem no colo, tivemos de lutar, correr atrás daquilo que realmente dava sentido à nossa vida.
O nosso primeiro encontro não foi simples também: é difícil esconder aquilo que se sente, das pessoas de quem gostamos. Mais difícil ainda é não olhar nos olhos, não falar, não comentar com medo que as palavras nos denunciem. O elevador sempre foi o nosso melhor amigo e aquele primeiro beijo à socapa, foi menos trapalhão que imaginámos.
Perdemos a amizade de outras pessoas, talvez. Mas se as coisas forem realmente fortes, elas hão de tornar a reacender, a reviver, a firmar-se. A amizade compreende e ultrapassa tudo, mas nunca vamos deixar de viver o nosso Amor por ninguém. Simplesmente porque penso que se não estivesse contigo, não poderia estar com mais ninguém, já que és tu a razão do meu viver. Já caímos em clichés, já não sabemos o que dizer, mas temos a certeza que as palavras não comportam o nosso sentimento, logo que nós que sempre fomos bons palavras.
Muita coisa poderia afirmar, a partir do momento em que ouço alguém dizer que amores como estes só acontecem nos contos de fadas. Mas eu posso-me orgulhar de dizer: “Sim, eu vivo num conto de fadas. Um conto de fadas real. Um filme. O nosso filme”.
Já perdi as palavras porque não consigo fazer entender aos outros como nos amamos e tudo o que já passámos e vivemos. Acima de tudo, basta-lhes o nosso olhar e esse olhar transmite-lhes a magia da película de um filme, do mais belo filme de Amor.

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Pós-taquicardia

Sinto-me a fraquejar de novo, com a mão trémula pela ansiedade que ataca de mansinho e destrói a construção da serenidade que necessito. Sempre a mesma maldição: a fraqueza. Faço-me fraco por consequência do mundo que me rodeia, de todo o peso que suporto nos ombros, de tudo o que carrego sem me poder desfazer facilmente. Porque há um dilema do qual sou portador e é sabido que esses tais carregam, que esses tais doem. E é a estupidez que me faz verter as lágrimas de ansiedade, de necessidade, dependência e saudade. Ainda não consigo vencer essa barreira que existe entre nós, a distância que se impõe e que nos faz perder dias de vivências, rotinas e hábitos. Fraquejo porque não tenho alcance de vencer os obstáculos e as saudades aumentam cada dia à media que o sentimento cresce de rompante. Estou assim porque não consigo suportar esta ausência, porque não dá mais para passar uma hora sem ti, sem te sentir e te tocar. Fraquejo porque nunca amei tanto assim alguém e porque deve ser doença querer tanto. Ponho a mão no peito porque ele exagera no batimento, porque é cá dentro que te guardo, porque a falta de ti também o aperta. Sufoco pela falta da tua presença, da tua cabeça no meu peito, dos teus braços no meu corpo e dos teus beijos. Sinto a tua falta em dilatações de vasos sanguíneos, em exagerados batimentos cardíacos porque te quero sempre junto a mim.

A cidade está deserta
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte
Nas casas, nos carros,
Nas pontes, nas ruas…
Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura
Ora amarga,ora doce
Para nos lembrar que o amor é uma doenca
Quando nele julgamos ver a nossa cura.

Ornatos Violeta – Ouvi Dizer

Certezas

Amor, Amor.

Cada vez que conto a alguém o nosso filme, só fico com mais certezas daquilo que nos une.
E é amar-te cada dia um bocadinho mais e mais.

Jantar no Indiano.
Os nossos dois Kama Sutra.
Perfeitos.
Nós.

Cálculo de Probabilidades

Qual é a probabilidade de se apaixonar por uma pessoa que nunca se viu?

Qual é a probabilidade de amar alguém que por acaso se conheceu numa comunidade de fotografia?

Qual é a probabilidade de a sogra olhar fixamente três vezes para o genro que desconhece?

Qual é a probabilidade de encontrar imensas pessoas conhecidas a trezentos quilómetros de casa?

Qual é a probabilidade de se conhecer o bancário/fotógrafo, que pergunta por ti sem te ter visto?

Qual é a probabilidade de uma exposição de fotografia que muito se anseia ver, estar fechada exactamente no único dia em que se pode lá ir?

Qual é a probabilidade do restaurante chinês fechar exclusiva e unicamente no dia em que se pretende ir jantar lá?

Qual é a probabilidade de procurar um restaurante indiano e ele estar a cinquenta metros à frente?

Qual é a probabilidade de sair no mesmo autocarro, um indiano, vindo da Índia, que ainda não fala português e ele saber onde fica o restaurante indiano?

Qual é a probabilidade de ter no prato a única entrada com couve-flor que existia?

Qual é a probabilidade de depois de uma refeição condimentada achar a pessoa da frente extremamente apetecível?

Qual é a probabilidade de no fim de uma refeição indiana te porem duas tacinhas de sementes à frente?

Qual é a probabilidade de o picante e o caril te fazerem estar a beijar alguém exactamente no meio da rua, com carros a passar?

Qual é a probabilidade de se romper duas vezes o mesmo?

Qual é a probabilidade de até as manchas das hemorragias serem em forma de coração?

Qual é a probabilidade de se viver constantemente um filme de clichés cómico-românticos?

Será a mesma probabilidade de afinal sermos todos desenhos animados e morarmos num livro?

Se eu fosse Deus parava o sol sobre Lisboa

“Na tropa tinhamos um dentista que era um soldado a quem ensinaram a arrancar dentes. A gente sentava-se numa cadeira de braços, ele pegava num alicate, dizia
– Frime-se
e começava a puxar. Estou a vê-lo a tirar um molar ao capelão, com joelho no peito dele porque o molar não vinha. Para o fim chorava o dentista, chorava o padre, secavam as lágrimas, o alicate avançava de novo
– Frime-se meu capelão
o capelão todo agarradinho aos braços da cadeira, o joelho imenso nas costelas, o barulho arrepiante do dente a quebrar-se, a ceder, a sair e o capelão branco como papel cavalinho a cambalear na parada. Nos momentos de desespero ordeno-me
– Frima-te
e começo a puxar o primeiro dente da alma que apanho, de joelho apoiado em mim mesmo. De modo que é o que vou fazer agora, neste final de Setembro que tanto me tem custado. Ao príncipio escrevi: o que posso fazer, o que devo fazer. Pois bem, devo ordenar-me
– Frima-te
e tirar a minha chuva interior a alicate. Se com o capelão deu resultado porque bulas não há-de dar comigo? E depois de jogar aquilo no balde
(- Quer ver o seu dentinho meu capelão?)
ser Deus por uns minutos e parar o sol sobre Lisboa. Ora aí está a solução: parar p sol sobre Lisboa, parar o sol sobre mim
– Frima-te António
até deixar de ter precisão de frimar-me.”

Excerto de uma crónica de António Lobo Antunes in Revista Visão n.º 763.

A História Devida

Depois de muito pensar se vos havia de informar, aqui vai:
Dia 1 de Novembro, um texto meu vai ser lido pelo Miguel Guilherme, no programa “A História Devida”. Podem ouvi-la às 17h20, 21h20 ou 03h20, na Antena 1, da RDP. Posteriormente será publicada em livro.

Não vos digo qual será o texto, mas a temática é forte. É muito íntimo e pessoal, não me julguem.

Deixo-me levar
por sentimentos;
Faço-me melhor
por ti;
Sinto-nos
sempre.

Creepy

Sim, eu sei que revolucionei o quotidiano de algumas pessoas, mas é normal um senhor bancário, que só por acaso é fotógrafo da natureza, perguntar por mim numa instituição bancária quase a 300km da minha residência?

Nós

Um IC
Dois bilhetes
Uma companhia
O conteúdo de uma carteira
Um wc
Um traje
Uma Serenata
Um elevador
Um chinês
Um-muita-coisa-cheia-de-vida.

Sempre.

A Tolice do Amor

Tento esquecer as vozes que me rodeiam os ouvidos e as imagens que me perseguem a cabeça.

(e eu não acredito na tolice do Amor)

Gostava de ter aqueles olhos que queres beijar e quem me dera possuir aquela voz que gostas de ouvir.

(não, não acredito na tolice do Amor)

Estes sentimentos são tão fortes a ponto de eu não conseguir respirar e tão vívidos a ponto de te sentir aqui do meu lado.

(e não acredito nas cantigas do Amor)

As palavras que dizes deixam-me sonhar acordado, este amor devia ser para outro alguém.

(e eu não acredito nos disparates do Amor)

Tu e Eu, eu sei.

Tu e Eu, eu tentei.

Tu e Eu, eu corri.

Deixei todas as velhas histórias para trás e isto soa-me tão bem, é tão quente e tão bom

(e eu caí na tolice do Amor).

Tiago na Intérnéte

Hi5
Imeem
Myspace
Fotolog
DeviantART
O Avesso dos Ponteiros
Simplicidade Complexa
A Vida do Baltasar
O Amor Expressivo
O Micróbio
Sofro de Otites
Línguas de Perguntador
Pisares

Um Mês

Um mês é sempre um mês. Um mês é um mês no calendário. Um mês parece pouco em termos cronológicos, mas pode significar muito. Um mês pode ser cerca de trinta dias, mas pode saber a Vida, pode saber a Amor, pode saber a Amizade. Num mês podemos mudar a nossa vida por completo, ultrapassar barreiras e distâncias, esquecer ideais antigos, criar novos. Um mês pode servir para obter a Felicidade, para sentir o verdadeiro sentimento, para criar novos laços. Um mês costuma ter quatro semanas, mas pessoalmente pode ser mais longo que isso. Um mês pode verter lágrimas, pode libertar sorrisos. Um mês pode permitir que cresçamos psicologicamente, que alarguemos os nossos horizontes, que conheçamos novos locais e novas pessoas. Um mês pode servir para nos conhecermos melhor, para não desistirmos daquilo que queremos, para corrermos, para lutarmos. Um mês pode servir para partirmos à aventura, para explorarmos o desconhecido. Um mês pode servir para fortalecer amizades, criar novas. Um mês pode servir para amar, para viver, para sentir.
Um mês é sempre um mês, é verdade. Mas para aqueles que o saibam aproveitar é mais que isso. Um mês pode significar tudo e temos a certeza que um mês se repete infinitamente até ao fim das nossas vidas. Um mês, sempre.

Temos

Temos um quarto.
Temos dois livros (há quem tenha o vídeo).
Temos seis de doze.
Temos Happy Hour.
Temos manchas.
Temos chão.
Temos portas.
Temos bilhetes.
Temos Amor.
Temos quem cheire.
Temos gargalhadas.
Temos dentadas.
Temos lábios cortados.
Temos dentes partidos.
Temos cabelos arrancados.
Temos bolo de chocolate com rum.
Temos salame da Tia Dorinda.
Temos post-it’s.
Temos efeitos giros no quarto.
Temos amigos.
Temos nós.

Há noites

Há noites em que se é abusado contínua e repetidamente.
Há noites em que nos acordam às quatro e meia apenas para dizer “Estás estranho! O que tens?”, quando a única coisa que se tem é SONO.
Há noites em que o INEM passa e não fica.
Há noites em que se ri tanto que não se deixa dormir as pessoas do quarto ao lado que têm insónias e a vizinha de cima que anda de tacões e de socas de madrugada.
Há noites em que se recebem mensagens precisamente à hora da desgraça.
Há noites em que se toca pandeireta.
Há noites em que se lê um Kama Sutra de bolso.
Há noites em que se come fruta sem ser de faca e garfo.
Há noites em que se percebe que um colchão sem molas é útil.
Há noites em que se morre de sede e se tem de andar a pedinchar água 4 horas seguidas.
Há noites em que já não se anda à procura do Pato Donald, mas tem de se usar outra coisa porque se perdeu a inicial.
Há noites em que os quartos têm uma aparência pseudo-pornográfica.
Há noites em que os cabelos já não fazem diferença.
Há noites em que se faz coisas interessantes como mandar mensagens.
E depois há manhãs em que se escondem as consequências da noite!

E depois destas noites traumatizantes, se dissermos que até gostámos é sermos masoquistas?