O Natal e o motivo de não podermos sair de casa

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Todos já conhecem o meu ódio de estimação para com o Natal e penso não ser necessário alongar-me aqui em dissertações acerca do motivo, sem abordar temas como a hipocrisia latente nas pessoas nessa época e, sem querer, ferir as susceptibilidades de ninguém, prefiro não falar mais uma vez no assunto.

Contudo e, se repararem bem, nesta época, essencialmente aos fins-de-semana, o melhor é nem sairmos de casa. Por motivos muito simples: somos forçados a abri os cordões à bolsa. É quase impossível, numa altura em que somos constantemente bombardeados pela publicidade, seja ela em suporte televisivo, radiofónico, documental, telemarketing ou propaganda de rua, não sermos vítimas desta febre consumista. No entanto e acima de tudo, a questão levanta-se nas inúmeras campanhas de sensibilização que se propagam e que brotam (quais cogumelos no bosque) nos supermercados e nos centros comerciais.

A minha política natural é não contribuir para nenhuma delas. Eu sei que parece insensível, mas irrita-me o facto de só se lembrarem das crianças e adultos carenciados na época natalícia, principalmente porque (e toda a gente sabe disso) eles só comem e se agasalham em Dezembro. Durante 11 meses do ano, essas pessoas vivem em tamanha abundância e prosperidades, que chegam ao último mês do ano e… subitamente, falta-lhes tudo. (Leia-se a ironia nas minhas palavras, ’tá?)

Fui às compras ao Sábado ao Pingo Doce (sim, faço compras nesse sublime espaço, conforme referenciei aqui) e senão que, à porta do dito cujo se encontravam umas (simpáticas) senhoras, de saco de plástico em riste, a convidarem-me para contribuir para o Banco Alimentar Contra a Fome. Eu com o meu sorriso amarelo, aceitei o saco, para depois quando saísse não ser abordado com um sorriso de cachorrinho abandonado e lá doei algumas coisas para a campanha. No Domingo, tentei forçar-me a aderir à febre consumista do Natal e percorri grande parte dos shoppings da zona nem sei bem porquê, mas talvez para ver se havia alguma coisa que me agradava. Lá fui para o Shopping Cidade do Porto, para o Shopping Via Catarina e para o Shopping Grand Plaza, sem comprar rigorosamente nada (excepto, vá lá, quatro DVD’s no MediaMarkt, para que o fim-de-semana prolongado não me fosse tão solitário).

Pelo caminho fui abordado por inúmeras pessoas que pediam (carinhosamente) que contribuísse para alguma campanha: fosse artistas de ruas, fossem meninas que queriam passar as férias na neve ou fossem campanhas contra a SIDA. Sim, porque toda a gente sabe que só se contrai o vírus da SIDA no dia 1 de Dezembro. É a Natureza, que se há-de fazer? (Olha a ironia de novo nas minhas palavras, olha!). Cheguei à FNAC de Santa Catarina e eis que, dois jovens de camisolas e panfletos da AMI, olham para mim, com um brilhozinho nos olhos. A minha táctica? Fingir que vou destraído e olhar para o chão. Resultado? Nulo! A jovem dirigiu-se a mim e disse “Não queremos dinheiro, queremos apenas que caso encontres um livro, um CD, ou DVD mais barato, que o compres para dar a crianças e jovens carenciados. É que temos o cesto quase vazio…”. E zás… logo apela ao lado emocional “já que os outros não deram, vê lá se és bondoso e dás alguma coisa”! Comprei livros da colecção “Uma Aventura” é verdade, porque não me sentia bem em sair de mãos a abanar.

Mas esta conversa toda por quê? Porque praticamente gastei tanto ou mais para estas campanhas, do que propriamente para mim. Ou seja, no Natal não vale a pena sair de casa, porque mesmo que não queiras gastar dinheiro, há sempre alguém que te força tal. É a aí que surge a hipocrisia que falei acima… As ilações tiram vocês…

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