Monthly Archives: Janeiro 2010

O meu sonho é chegar ao restaurante chinês onde vou jantar agora e dizer isto:

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Eu era uma pessoa tão mais feliz

se alguém se chegasse ao pé de mim, como quem não quer a coisa, a corar, a esconder a cara entre as mãos, meio envergonhado, meio sedutor

(assim mesmo com aquilo a dar a dar nas mãos)

olhasse para mim com lágrimas nos olhos – nem era preciso tanto – apenas um leve brilhozinho talvez e dissesse

– Toma as chaves deste T4 que comprei para ti e para a tua mais-que-tudo e sê feliz.

E eu juro-vos que seria.

Isto à conta das notícias recentes que se lêem por aí

há que ter cuidado com que se escreve nas redes sociais.

Eu gosto muito do meu trabalho e hoje foi um dia maravilhoso, daqueles mesmo bons que nos fazem sentir bem e ter vontade de ficar a trabalhar até mais tarde, mesmo sem cobrar horas extras. Daqueles que nos fazem adorar as chefias e daqueles em que o trabalho corre sobre rodas.

A sério. Mesmo.

Aposto que se trabalhassem na mesma empresa nunca iam querer bater com a porta vinte vezes por dia, nem nunca (jamais) iriam questionar a vossa sanidade mental. É que é mesmo bom.

Acreditem. É mesmo verdade.

Quem não via isto, era um ovo podre!

E porque ela pede, eu obedeço

(ou pelo menos tento)

eu prometo que vou tentar vir aqui mais vezes. Escrever assim só de vez em quando e como quem não quer a coisa mandar uns bitaites. Assim para o ar.

E lá está. Mais uma vez esta cena do Atonement tem a ver com sexo.

Atonement.

Para não dizerem que só falo de cinema, falemos de sexo e cinema.

E só assim porque hoje, de repente e como quem não dá por nada, mas vai remoendo o assunto, apercebi-me que existe uma ligação muito grande entre mim e a exploração do sexo. Trauma de uma infância recalcada ou não, a verdade é que o fascínio perante a descoberta da sexualidade humana, nas suas mais variadas formas, inclusive as mais perversas é grande. E mais que se notar em aspectos da minha vida pessoal ou sexual – até hoje não me agrada muito a ideia de estar pendurado de cabeça para baixo, com arame farpado nos pés e ferro espetado na uretra – nota-se particularmente nalguns filmes que me são marcantes de alguma forma.

Note-se, por exemplo, há uns anos atrás – vai não vai havia de estar nos meus 14 anos – a programação da RTP2 era fonte desse fascínio. E não fosse a minha mãe achar que estaria a ver filmes pornográficos pela madrugada fora, era precisamente às “escondidas”, que vi alguns filmes que só hoje em dia e muito recentemente soube o nome.

É o caso de A Pianista, de Michael Haneke, preversão sexual ao máximo – discreta, de certa forma, mas muito sugestiva – com uma professora de piano e um seu aluno, com muito voyeurismo, sadomasoquismo e auto-degradação. É o caso de O Fantasma, de João Pedro Rodrigues, com actores despudorados e sem complexos e com a primeira cena assumidamente gay no cinema português. Muito perturbador. É o caso ainda e numa versão muito mais naïve da história da exploração da sexualidade juvenil em Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci. Notem-se ainda pequenos pormenores, mais recentes como Les chansons d’amour ou até à forma despudorada com que Six Feet Under abordava a sexualidade.

Pequenas coisas que revelam o meu fascínio e que me fazem pensar que se talvez não fosse administrativo, talvez gostasse de ser sexólogo. Ou ainda mais sublime: administrativo de dia, sexólogo de noite. Mas sexólogo mesmo, não outras coisas. Porque apesar de tudo ainda tenho alguns pudores.

Mas o futuro é negro e a esperança – tal como a Terra – há muito que deixou de ser verde.

I told the boy when you dream about bad things happening, it means you’re still fighting and you’re still alive. It’s when you start to dream about good things that you should start to worry.

The Road

O Regresso?

Do outro lado, chama-se abandono. Por este lado chama-se O Regresso ponto de interrogação. Porque a vontade de voltar aqui existe, mas não existe motivação.

Por aqui mudaram-se as cores, de volta ao velho e luminoso branco. Talvez diga mais.

Basic Space

A revelação de 2009: The XX

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Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.

Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago

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Nenhum documento revela a nossa identidade. Cortem-se, pois, os cartões. O dinheiro alimenta, acima de tudo, o estatuto, a aparência, o lado superficial das coisas. Queimem-se as notas. Careers are a 20th century invention e a sociedade é uma relação de convenções. Anti-naturais, cada vez mais. Sociedade, sociedade, sociedade: pais, hipócritas, políticos, cretinos, arrogantes… Onde está a liberdade autêntica, a verdade da nossa existência? É por partir em busca dessa verdade que Christopher McCandless abandona toda uma vida em sociedade. No phone, no pool, no pets, no cigarettes. Assume-se um extremista. An aesthetic voyager whose home is the road.
Empreender uma aventura como a de Christopher McCandless, com tão elevado grau de consciência e de convicção, demonstra excepcional cultura e profundo idealismo. The climactic battle to kill the false being within and victoriously conclude the spiritual pilgrimage. Mas possuir um saber não é possuir, necessariamente, sabedoria. Sabedoria e ser extremista são opostos absolutos. E a viagem solitária rumo à vivência primitiva, nos confins do mundo e da natureza, ensinar-lhe-á isso muito bem…

Happiness only real when shared.
Christopher Johnson McCandless
Agosto, 1992