Monthly Archives: Julho 2007

dp.7. agora já não podem dizer que desenho mal

Em www.aduplapersonalidade.blogspot.com também desenham tão mal quanto eu. Mas com mais piada.

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Escrever

“Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida – umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.”

@ Fernando Pessoa

dp.6. Quem confessa os pecados…

Conheçam a autora plagiada em www.aduplapersonalidade.blogspot.com.

Olhos Vendados

Podia esquecer-me de abrir os olhos e ver o mundo. Afinal, bastas-me tu. Olho para os arcos, as escadas, as ruas, o metro e o rio e são os teus olhos que vejo. As crianças riem nos jardins e é o teu sorriso que vislumbro. Cegaste-me, viciaste-me o olhos. Vejo o teu amor reflectido na água que bebo, deixaste-me saudades e um coração apertado. Uma forte recordação prevaleceu, a partir dela consigo ver o teu cabelo ondulado pelo vento, a tua pele morena matizada pelo sol, os teus olhos francos, a tua boca fina e delicada. Mas acima de tudo, vejo o rasto que deixaste. Ainda me dói, mesmo de olhos vendados.

dp.5. ódio de estimação

Visitem o blogue www.aduplapersonalidade.blogspot.com, de uma adicta de novelas da NBP e TVI.

Reportagem-Choque: Do you want a slow ride?

Ok, eu confesso. Eu vi. Provavelmente todos já conheciam a existência do EuTubos depravado e porco, mas eu saí do armário há pouco tempo. Dá pelo nome de PornoTube (Tubo Pornográfico? Sugestivo).

Primeira parte interessante do site (que nem será necessário colocar o respectivo link porque todos vocês que me visitam são depravados e sabem-no): Perguntam se sou maior de idade e tem de se colocar a respectiva data de nascimento. Ei! As crianças mentem, sabiam? Qual o puto, ansioso por afogar o ganso, diz que nasceu em 1990? Pois. Vivemos no mundo da Coca-Cola e o Pai Natal chega aos sábados dentro do ovo do Coelho da Páscoa.

Segunda parte interessante do site: Vídeos. Muitos vídeos. Porcos. Ardentes. Depravados. Ok, estou chocado. Acham que posso dar o nome a um filho “Dildo Fuck”? Credo, o que é isto? Não sabia que as leis da Física permitiam determinadas posições. Disgusting, no mínimo.

Terceira parte interessante do site: secção “View All Content” (Ver todos contentes? Pelos gritos digamos que estão no mínimo a hiperventilar.).

Quarta parte interessante: secção “View Gay Content” (Ver Gays Contentes). Eeei, isto tem uma secção gay. Oba, volto já…

 

 

 

(Ok, quem me conhece sabe que estou a gozar. I’m a straight gay… Eerr… a straight guy! E esta parte está escrita a cor de rosa choque, porque isto é uma reportagem-choque. Está? Agora livrem-se de deixar comentários a dizer o contrário que vos persigo até aos confins da terra [leia-se Amadora] com um espanador do pó. Daqueles perigosos. E cor-de-rosa.)

Grace – Jeff Buckley

Um música excelente de um grande compositor.

Saibam mais acerca da minha opinião em Pisares.

dp.4. clichê


Parece que afinal também se fazem piadas sobre a Floribella em www.aduplapersonalidade.blogspot.com. Mas absolutamente mais engraçadas.

Hurt

dp.3. Quem nunca pecou, que atire a primeira pedra


Em www.aduplapersonalidade.blogspot.com não se fazem piadas sobre a Floribella.

VOY CAMINANDO POR LA VIDA…sin pausas

É bom sentir ADRENALINA no sangue, a sensação de liberdade…é muita! ARRISCAR!

AQUI!

Continuo VIVA !!!

Sete, Sete – III

(…)

Carmen relembra tudo isto ao inspector da Polícia Judiciária que está ali de pé.

«A senhora está intimida a prestar declarações no nosso posto.»

Enquanto Carmen titubeia tentando dizer que não sabe mais nada, passam dois médicos legais conversando entre si:

«Um crime passional, certamente.»

«Viste bem a forma como cravaram a tesoura? Ciúmes, de certeza.»

Da casa de banho ouvem-se flashes de máquinas fotográficas, passos miúdos e um burburinho de fundo. Lá dentro vêem-se técnicos com os materiais em riste, procurando pistas e rastos deixados por descuido. E abrem-se saquinhos de plástico, com fechos herméticos, nos quais se colocam individualmente e com o auxílio de pinças, uma madeixa loira de cabelo, um frasco de um medicamento qualquer com um princípio activo de mirtazapina, um rolo fotográfico, um anel de prata e a tesoura. Tudo elementos aparentemente estranhos à cena do crime. Ouve-se um fecho de correr, pegam no corpo lívido e esvaído em sangue e colocam-no num saco. Azul-celeste, ironicamente. Ouve-se novamente o fecho de correr.

A perícia revista o apartamento. Era um T1 simples, numa zona boa da cidade, longe da universidade. Estranho facto, pois como estudante universitária era de todo mais fácil morar perto da faculdade. As divisões eram dotadas de uma organização incomum, poucos tarecos, linhas direitas, cores berrantes. A sala era uma divisão ampla, bastante luminosa, com um laranja forte na parede ao fundo. Duas estantes minimalistas estavam cobertas de pó, detalhe que não correspondia à total arrumação da divisão. Um candeeiro de inox, arrojado, convivia amigavelmente numa mesinha de apoio, instalada junto à poltrona. Os bens eram de luxo, notava-se.

O quarto era um local mais intimista, de chão alcatifado e de cortinas vermelhas translúcidas que davam uma áurea quente ao espaço. Um livro repousa na cama ainda desfeita. Os técnicos quais alienígenas invadem o quarto à procura de indícios. Com luvas de borracha sintética remexem os lençóis, uma gotinha ínfima de sangue detém a sua atenção. Uma espécie de cotonete serve para retirar o fluido, que é colocado num frasquinho, também hermético como os sacos. Mais um flash, o técnico dispara a máquina sobre umas marcas feitas na cabeceira da cama. De unhas, talvez. Na mesinha ao lado encontra-se um pó branco, já meio sumido, um cartão de crédito e um papel de prata. Tudo é recolhido.

Lá em baixo, na rua, já todos se aperceberam que algo se havia passado. Os boatos e os murmúrios aumentam e os cochichos próprios de bairro ressoam. As senhoras bem arrumadas e as donas de casa, domésticas convivem agora em tal coscuvilhice.

O saco desce. Dois homens carregam-no. Mãos tapam as bocas das mulheres sensíveis e muitas viram a cara com medo de serem surpreendidas pela face da falecida.

Um rapaz de mota aproxima-se do local. O capacete tapa-lhe a expressão e a identidade. Parece atento ao que se passa, mas nada pergunta. Apeia-se do veículo, tira o capacete e entre uma melena de caracóis loiros, quase que se vêem os olhos vidrados de tal misteriosa presença.

(Continua)

dp.2. claro que sei a música de cor


Vejam o talento verdadeiro em www.aduplapersonalidade.blogspot.com

dp.1. sim, estou a tentar gozar

Vê as boas e verdadeiras em www.aduplapersonalidade.blogspot.com

Sozinho

Hoje é daqueles dias que são um misto de tudo. Um misto de felicidade e alegria, com um misto de desânimo e tristeza.

Mas acima de tudo é o sentimento de solidão que voltou. Hoje fiz tudo sozinho. Parti de casa sozinho. Corri a cidade sozinho. Passei por lojas sozinho. Não tomei o pequeno-almoço porque estava sozinho. Voltei sozinho.

E agora que aqui estou, sinto-me sozinho. Sim, podia sair. Mas para estar sozinho, aqui é suficiente. Há palavras que me ressoam nos ouvidos e que não se esquecem. «Sozinho» é uma delas.

E  a verdade é que hoje quebrei novamente. Angústia emocional.

 

 

«Tenho saudades de momentos que nunca mais vou encontrar. A vida talvez seja só três dias e eu quero andar sempre devagar.»

 

 

 

(Papel higiénico da Comfort serve, meu a mor.*)

Sete, Sete – II

 (…)

Depois de meia hora no trânsito intenso, a placa ao cimo grita Rua das Tílias.

Vitória pede para que Carmen estacione o táxi junto ao banco, esta última franze o sobrolho, mas nada comenta. Seria exagero demais perguntar-lhe para onde ia, pensou. Vitória não sai logo, fica dentro da viatura a olhar o prédio que se lhe apresenta imediatamente à esquerda. Mira os prédios vizinhos e casca no verniz; o banco e a embaixada lomográfica são mesmo ali ao lado e mais uma raspadela no verniz. Olha para a entrada e os quatro andares acima e casca no verniz. Um papelinho mal embrulhado, sacado da mala, diz-lhe «3.º direito» e a chave numa mão serve para raspar o verniz que ainda lhe sobra.

«Quanto é a corrida, minha senhora?»

«Carmen, trate-me por Carmen. São doze euros e meio.»

«Mas o taxímetro marca quinze…»

«Ora essa, Vitória. Aqui os vizinhos ajudam-se mutuamente.»

Vitória abre os olhos e fica surpresa. Mas Carmen, na sua desenvoltura conhecida por todos, dispara:

«Não pude deixar de reparar que vem viver para o terceiro direito deste prédio…»

E antes que Vitória proferisse um som monossilábico que lhe daria a resposta, já Carmen continua:

«Eu moro no terceiro esquerdo. Sabe, precisamos de sangue novo por estas bandas. É tudo velho aqui, a vida social resume-se a novelas e reposições de programas antigos e os poucos jovens que aqui moram ressentem-se. Sim, porque no quarto andar vive um rapaz, um pintor, muito bom partido, não lhe conheço nenhuma namorada, se calhar fazia-lhe bem conhecê-la…»

Enquanto Carmen prosseguia neste rol de histórias e descrevia as personagens que ali moravam, já Vitória havia fechado o semblante e antes que a sua nova vizinha continuasse a abrir a boca, já esta lhe havia deixado uma nota de dez e outra de cinco no banco do táxi.

«Não preciso de ajudas» e subiu apressadamente, sem sequer desejar uma boa tarde.

(Continua)

Il Mondo Nuovo

«Il Mondo Nuovo». Eu sabia que chegaria para ti. Sempre confiei plenamente. O teu esforço, o teu empenho, a tua determinação, o teu zelo; tudo isso daria frutos. Eu sempre te disse.

Sabes como és importante para mim. Aquele amigo que se revelou o importante, o necessário, o essencial. Estamos constantemente com conversas tolas, mas faz parte. Mas não esqueço essencialmente daquilo que me disseste várias vezes, no príncipio. Da força que me deste, das palavras que me chamavam à razão, me chamavam trengo, me divertiam. E no fim de tudo, tornámo-nos dois trengos. Enormes, mas especiais. Divertimo-nos em conjunto, desabafamos em conjunto, falamos das nossas pancas… (correcção: EU falo das minhas pancas!) Aquele nosso mal-entendido de ontem também serviu para nos conhecermos melhor, conhecer as dúvidas, as paranóias, o falar interminável e o rol de desculpas, que deixam qualquer um exausto. Mas há coisas que são mais importantes que isso e nunca conseguiria ficar magoado por tal ínfima coisa. Em suma, já te disse imensas vezes o que significas para mim, tantas que até já não sei as palavras que hei-de usar. Mas penso que a expressão “Amigo Especial” é suficiente. =)

E agora, finalmente vais passar ao teu Mundo Novo, aquele que sempre desejaste. Fiquei feliz, muito mesmo. Fiquei tão feliz como se fosse para mim. Um bom futuro se avizinha. Espero continuar a fazer parte dele, amigo.

Complicated

Sete, Sete – I

O corpo jazia exangue no chão de mosaico branco, frio de casa de banho. A sua posição era a de olhos fixos no nada, parecia brutalmente assassinada, uma tesourada fora o seu fim. Quando a encontraram não podiam crer, ela parecia um ser angelical, de imaculada concepção, corpo perfeito, lábios definidos, mãos de dondoca. Foi a vizinha que deu o alarme, a dona Carmen do terceiro esquerdo que estranhou a porta aberta àquela hora da noite. Era taxista, profissão incomum para uma mulher, mas a necessidade o havia determinado. Aventurou-se a entrar na casa, bateu duas vezes na madeira de cerejeira, ninguém respondeu e entre com licenças e vou entrar, passava de divisão em divisão, curiosa e preocupada ao mesmo tempo.

«Vitória, estás aí?», gritava.

Era nova a Vitória, estudava Medicina, mudara-se para a cidade este ano. Era pacata, parecia-lhe e pouco falava com os outros inquilinos do prédio. Carmen conhecera-a em serviço. Chamaram um táxi à estação de comboios e eis que uma mulher com cara de menina lhe aparece.

«Rua das Tílias, por favor.»

O seu longo cabelo preto não passa despercebido, nem a sua pele perfeita, de cor morena uniforme, levemente dourada. Ainda menos lhe passa despercebido o destino «Rua das Tílias», o mesmo onde vive há vinte anos. Enquanto sintoniza o rádio em meio a chuviscos de ruído digital, no centro do trânsito infernal, Carmen mete conversa:

«Alguma preferência?», sorri.

«Diga?»

«Alguma estação de rádio que goste mais?»

A sua mão pára quando ouve uma música pop ao estilo que lhe parecia ser o da cliente. Esta encolhe os ombros como se não lhe interessasse muito a música e a conversa.

«Carmen, prazer.», insiste.

«Vitória Lima»

E assim se cala Carmen, mas acha-a distante. Na sua mente paira a curiosidade de lhe conhecer as origens e o porquê do seu destino, mas não queria parecer coscuvilheira.

Nos setenta à hora a que aquele troço da estrada lhe permite, a rapariga mexia os dedos constantemente, como se afligida pela ansiedade. As unhas eram compridas, de formato rectangular, cor de sangue de boi e com o indicador esquerdo raspava o verniz à medida que o respirar aumentava de frequência.

(Continua)